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Insights

O valor da hora não é o preço

6 min de leituraArquitetura

Duas propostas chegam na sua mesa. Uma de US$ 35 a hora, outra de US$ 75. O time mais barato está nove horas e meia à sua frente. A maior parte dos processos de compra para por aí, porque o segundo número é o único que está na página.

O que não está na página é quantas vezes por semana seu projeto para de andar.

Latência acumula, custo não

Um desenvolvedor esbarra numa ambiguidade — a especificação não diz o que acontece quando um pagamento é reembolsado depois da assinatura cancelada. Com horário sobreposto ele pergunta, você responde, o trabalho continua. Tempo decorrido: vinte minutos.

Com doze horas de diferença ele pergunta no fim do dia dele, você lê no início do seu, responde, e ele lê no início do dia seguinte dele. Tempo decorrido: um dia. Não um dia de trabalho — um dia de nada, numa dúvida que levou noventa segundos pra você responder.

A sobreposição, calculada

Sobreposição de horário comercial entre uma jornada de 9h às 18h em cada cidade e uma jornada de 9h às 18h em UTC-3 — que é o Brasil, e que não tem horário de verão:

  • Nova York — 8 horas de sobreposição. Praticamente o dia inteiro.
  • Chicago — 7 horas.
  • São Francisco — 5 horas. A manhã deles é a sua tarde.
  • Londres — 5 horas. A tarde deles é a sua manhã.
  • Bangalore — 30 minutos.

Essa última linha é o argumento inteiro. Trinta minutos por dia não é uma relação de trabalho, é uma janela de passagem de bastão — e é na passagem de bastão que o contexto morre.

Quanto a diferença custa de fato

Pegue um projeto com seis ambiguidades por semana, o que é conservador para qualquer coisa não trivial. Com sobreposição, custam minutos e se resolvem no mesmo dia. Com doze horas de diferença, cada uma custa um dia de calendário, e uma parte delas vira chute em vez de pergunta.

Seis dias de atraso por semana não significa que o projeto demora seis dias a mais — significa que o calendário estica enquanto a fatura continua correndo. Um projeto orçado em três meses entrega em cinco. A US$ 35 a hora ao longo de cinco meses você não economizou nada contra US$ 75 ao longo de três, e passou dois meses a mais sem ter o produto.

Quando offshore é a resposta certa

Quando o trabalho genuinamente não gera pergunta. Uma migração bem especificada, um conjunto definido de casos de teste, manutenção de um sistema que ninguém está mudando — esse trabalho paraleliza entre fusos perfeitamente, e pagar por sobreposição que você não usa é desperdício.

A distinção não é o tamanho do projeto. É se a especificação está terminada. Se você ainda está descobrindo o que está construindo — que é o caso da maioria das primeiras versões — você está comprando conversas, não horas, e conversa precisa acontecer com as duas pessoas acordadas.

O que perguntar em vez do valor da hora

  1. Quantas horas do seu dia útil se sobrepõem ao deles. Peça o número, não a região.
  2. O que acontece quando um desenvolvedor trava — pra quem ele pergunta, e quanto tempo leva a resposta.
  3. Se as pessoas da call são as pessoas que escrevem o código.
  4. Em qual moeda você é faturado, e se pagar custa uma transferência internacional.

Nenhuma dessas aparece num valor por hora, e todas elas aparecem na data de entrega.

Construindo algo onde essas decisões importam?

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