O valor da hora não é o preço
Duas propostas chegam na sua mesa. Uma de US$ 35 a hora, outra de US$ 75. O time mais barato está nove horas e meia à sua frente. A maior parte dos processos de compra para por aí, porque o segundo número é o único que está na página.
O que não está na página é quantas vezes por semana seu projeto para de andar.
Latência acumula, custo não
Um desenvolvedor esbarra numa ambiguidade — a especificação não diz o que acontece quando um pagamento é reembolsado depois da assinatura cancelada. Com horário sobreposto ele pergunta, você responde, o trabalho continua. Tempo decorrido: vinte minutos.
Com doze horas de diferença ele pergunta no fim do dia dele, você lê no início do seu, responde, e ele lê no início do dia seguinte dele. Tempo decorrido: um dia. Não um dia de trabalho — um dia de nada, numa dúvida que levou noventa segundos pra você responder.
A sobreposição, calculada
Sobreposição de horário comercial entre uma jornada de 9h às 18h em cada cidade e uma jornada de 9h às 18h em UTC-3 — que é o Brasil, e que não tem horário de verão:
- Nova York — 8 horas de sobreposição. Praticamente o dia inteiro.
- Chicago — 7 horas.
- São Francisco — 5 horas. A manhã deles é a sua tarde.
- Londres — 5 horas. A tarde deles é a sua manhã.
- Bangalore — 30 minutos.
Essa última linha é o argumento inteiro. Trinta minutos por dia não é uma relação de trabalho, é uma janela de passagem de bastão — e é na passagem de bastão que o contexto morre.
Quanto a diferença custa de fato
Pegue um projeto com seis ambiguidades por semana, o que é conservador para qualquer coisa não trivial. Com sobreposição, custam minutos e se resolvem no mesmo dia. Com doze horas de diferença, cada uma custa um dia de calendário, e uma parte delas vira chute em vez de pergunta.
Seis dias de atraso por semana não significa que o projeto demora seis dias a mais — significa que o calendário estica enquanto a fatura continua correndo. Um projeto orçado em três meses entrega em cinco. A US$ 35 a hora ao longo de cinco meses você não economizou nada contra US$ 75 ao longo de três, e passou dois meses a mais sem ter o produto.
Quando offshore é a resposta certa
Quando o trabalho genuinamente não gera pergunta. Uma migração bem especificada, um conjunto definido de casos de teste, manutenção de um sistema que ninguém está mudando — esse trabalho paraleliza entre fusos perfeitamente, e pagar por sobreposição que você não usa é desperdício.
A distinção não é o tamanho do projeto. É se a especificação está terminada. Se você ainda está descobrindo o que está construindo — que é o caso da maioria das primeiras versões — você está comprando conversas, não horas, e conversa precisa acontecer com as duas pessoas acordadas.
O que perguntar em vez do valor da hora
- Quantas horas do seu dia útil se sobrepõem ao deles. Peça o número, não a região.
- O que acontece quando um desenvolvedor trava — pra quem ele pergunta, e quanto tempo leva a resposta.
- Se as pessoas da call são as pessoas que escrevem o código.
- Em qual moeda você é faturado, e se pagar custa uma transferência internacional.
Nenhuma dessas aparece num valor por hora, e todas elas aparecem na data de entrega.
Construindo algo onde essas decisões importam?
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